De volta ao velho continente – Mallos de Riglos

Depois de Goiás e oito meses a escalar pela a América do Sul, decidimos rumar para o velho continente.

Aproveitámos uma paragem de quase um mês e meio em Portugal para rever a família, amigos, preparar o carro e claro, escalar nas nossas falésias costeiras favoritas. Enfim, matar um pouco das saudades, sendo que já há mais de um ano que não estávamos com a família e amigos.

Rumo a Espanha

Planeámos o que seriam os últimos meses desta nossa aventura de um ano dedicado 100% à escalada. Assim, fizemos um roteiro para passar os meses de Outubro e Novembro a conhecer as principais escolas de escalada no el país de la roca. Sim, Espanha é de facto um destino obrigatório de qualquer escalador.

Tendo em conta o período do ano (outono), planeámos visitar primeiro os lugares mais a norte e à medida que se aproximava o inverno iríamos mais para sul.

Riglos

Desta vez de carro, partimos de Lisboa em direção a Riglos, uma pequena povoação localizada na província de Huesca. Ainda na estrada ficámos impressionados pela beleza das enormes paredes das montanhas de conglomerados, conhecida por “Los Mallos de Riglos”. Diferente de tudo o que tinhámos visto até à data.

Já no dia seguinte, apesar de um pouco de chuva pela manhã, foi possível escalar um pouco para nos ambientarmos ao tipo de rocha. Ficámos encantados com o tipo de escalada e pela a qualidade das vias.

Algumas das paredes dos Mallos de Riglos

El Puro pela via Normal 180m 6b

Riglos é sem dúvida um lugar para escaladas de multi-largo, assim estávamos desejosos de nos aventurar em alguma das vias mais clássicas. A clássica das clássicas que todos querem escalar algum dia é a Fiesta de los bícepes 7a de 235 metros. Não nos sentíamos particularmente em forma física e psicológica para enfrentar tal desafio, optámos pela via mais repetida de Riglos, el Puro pela via Normal, 6b de 180 metros

Depois de alguma tentativas trágicas, el Puro foi escalado pela primeira vez no ano de 1953, por Manuel Bescós, Alberto Rabadá e Ángel López “Cintero”. O tipo de rocha é muito peculiar, composto por grandes blocos de conglomerados, muito maiores do que tínhamos conhecido na chapada da diamantina.

Nesse dia acordamos bem cedo, tomámos um pequeno-almoço bem reforçado e partímos para essa aventura.

Características da via
Longitude: 180 m
Orientação: Noroeste (sol pela manhã e pela tarde)
Grado: 6b Fr
Equipamento: equipada com bolts, pontes de rocha e algúns pitóns. Reuniões para rapel.
Material: 14 expressos, algumas fitas longas, algum friend médio e nuts opcionais para proteger a parte de chaminé.
Aproximação: 10 minutos desde do parque de estacionamento
Nota: O primeiro largo fizémos pela via Entrada directa (V+ de 35m), a partir da Cueva de La Cirila, que permite um acesso mais rápido à fissura.
A via são 9 largos no total, onde tem praticamente de tudo do que se pode encontra nos Mallos de Riglos: zonas fáceis, diedros, tetos, chaminés, barrigas e extraprumes.

Largo 1: Entrada pela via Entrada Directa (V+ de 35m). Não é um V+ fácil, poderia ser facilmente um 6a ou 6a+. Começa pela esquerda da Cueva Cirila, por um diedro com bastante ambiente.

Largo 2: Segue pela fissura vertical, bem protegida, este sim de facto é um V+.

Largo 3: Largo bastante fácil de IV grau, que faz uma travessia horizontal até à base da Cova do El Puro

Largo 4: É um largo de 6b duro de um movimento de força num teto, com as presas bastante polidas. Depois fica fácil até chegar à reunião.

Largo 5 e 6: Aqui começa a chaminé, onde se pode utilizar os friends ou nuts. Apesar de ser um largo de IV+, os bolts estão bastante distanciados e os passos são delicados. É possível escalar o largo 5 (25m) e 6 (15m) de uma só vez. Termina no Collado del Puro.

Largo 7 e 8: Agora começa a melhor parte da via, os últimos largos, na cara Sul do Puro. Com uma vista espectacular para Riglos. Estes dois largos são de V+ relativamente fáceis, mas bastante exposto. É possível encontrar/usar vários cordoletes nos pontos de rocha e alguns pitóns bem antigos.

Largo 9: Por fim, o  último largo, um 6b duro típico de Riglos com um barriga. Mas bastante bem protegido. Os últimos metros fica positivo.

Assim, 4 horas depois chegamos ao cume do El Puro, onde é possível ficar de pé e apreciar a vista panorâmica singular.

Para descer, a partir da reunião que o cabo-de-aço nos leva, fazer dois rapéis de 30 metros, que percorrem a face interior do El Puro. Continuar com mais dois rapéis até à base da Cova del Puro (30 e 20 metros). Usar os cabos-de-aço uns metros até chegar à reunião que fica na vertical da fissura que sobe desde da Cueva Cirila. Realizar mais dois rapéis (20 e 30 metros) até chegar a uma plataforma. Por último fazer um rapel aéreo de 30 metros até ao chão.

Informações úteis:

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