Escaladas no Sul de Minas

Com a previsão de chuva em São Bento do Sapucaí, resolvemos cruzar para o estado de Minas Gerais.

Com a Serra da Mantiqueira delimitando o sul e sudeste deste enorme estado do Brasil, faz com que exista uma quantidade enorme de falésias, morros, montanhas e rochas. Ambiente perfeito para qualquer escalador fanático. Com o bónus de ter um povo muito hospitaleiro e uma das melhores culinárias do Brasil.

A ideia inicial seria apenas conhecer alguns spots de escalada que já nos tínham falado, como a gruta de passa-vinte e o planalto de Itatiaia. No entanto, escaladores sempre nos falam de alguns novos locais, como é o caso da região de Itajubá. Assim, aproveitando o mal tempo que se fazia sentir em São Bento de Sapucaí partimos de bus para Itajubá, onde alugamos um carro para nos dar uma maior liberdade de locomoção para os próximos 10 dias.

Falésia dos Olhos

O nosso primeiro spot de escalada foi a falésia dos olhos, já que aqui é possível escalar com chuva. Localizado às margens da estrada que liga Paraisópolis e Brasópolis e de fácil acesso. Esta falésia é considerada um dos lugares mais populares para a escaldada desportiva por ter uma grande concentração de vias de maior dificuldade e bastante atléticas.

Apesar da beleza do granito alaranjado da falésia, o lugar em si não é muito agradável de estar devido à grande quantidade de fezes de vaca que tem na base das vias.

Nesse dia, já era tarde, acabamos por entrar nas vias mais fáceis da falésia, a Quebradeira (6B+ FR) e a clássica Sonho de Ícaro (6C FR).

Informações úteis:

  • Guia escalada: no Abrigo Montanhismus é possível obter o guia de escalada da região que custa cerca de 25 BRL (aprox. 7 €) Guia do Eliseu Frechou ou online através do site https://27crags.com/crags/falesia-dos-olhos
  • Outros: É possível escalar em dias de chuva mas quase impossível de escalar ao sol devido ao calor. Durante o inverno, ideal chegar depois das 15 horas, por esse motivo é um lugar bom para se frequentar no verão em dias chuvosos ou nublado.

Pedra do Frade

No dia seguinte, combinámos com alguns escaladores locais conhecer a Pedra do Frade, localizada entre as cidades de Maria da Fé e Itajubá, no Bairro Ano Bom. Este setor, sem dúvida, foi onde mais gostamos de escalar. Talvez pelo seu ambiente natural bem preservado, pela qualidade das vias e da rocha que é pouco abrasiva para as mãos. Caracterizada pela grande variedade de regletes e presas grande para todo o gosto. Esse é o diferencial do Frade em relação as demais rochas da região.

É também possível escalar no setor Barcelona em dias de chuva o que torna um spot bastante interessante na região, já que a Falésia dos Olhos chega a ter mais de 80 escaladores fanáticos nos finais de semana e feriados.

Hoje o setor conta com mais de 30 vias de escaladas, divididos em 4 setores, que variam do 4° aos 8º FR. Valeu pela boa onda dos escaladores Luigi, Joel e Guet.

Informações úteis:

  • Como chegar: sentido Itajubá-Maria da Fé, após as lombas (“quebra-molas”) bairro Ano Bom entrar a direita em uma estrada de terra. Logo após há uma bifurcação, entrar à esquerda depois seguir em frente. Após alguns minutos já é possível visualizar a rocha alaranjada à direita. Após uns 2.5km Estacionar o carro junto do bambuzal e caminhar em direção à rocha (uns 40min).
  • Localização:
  • Guia escalada: existe um pequeno guia publicado online no site vertical minas, porém está um pouco desatualizado. É bom entrar em contato com a comunidade local. Em Itajubá tem um ginásio de escalada Triboo onde é possível encontrar mais informação.
  • Outros: importante o uso de capacete.

Pedra da Piedade

Este foi o nosso último spot de escalada na região de Itajubá que visitamos. Talvez o mais conhecido, com mais de 60 vias para vários gostos e estilos. Uma rocha com mais 120m de parede vertical, proporciona um ambiente ideal para uma escola de escalada.

Informações úteis:

  • Como chegar e guia escalada: é possível encontrar informação online no blog do Clube Montês Itajubense, no entanto, alguma informação pode estar desatualizada, importante entrar em contato com a comunidade local.
  • Localização:
  • Outros: Levar repelente, pois lugar tem muitos mosquitos.

Aiuruoca

A primeira vez que ouvimos falar de Aiuruoca, foi através da Camila, uma simpática escaladora que conhecemos em São Bento. Apesar de não estar nos nossos planos visitar esse lugar, acabou por ser um dos mais incríveis que conhecemos. Estávamos a caminho de Passa Vinte, com cerca de 2h30 de viagem quando vimos uma placa que sinalizava Aiuruoca. Não sabíamos mais nada sobre o lugar, mesmo assim resolvemos naquele instante virar. Chegamos já era noite, resolvemos procurar um lugar para jantar.

Durante o jantar, a dona do restaurante resolveu colocar um vídeo na TV sobre o abrigo do Batuque, localizado na base da serra do papagaio que proporciona um visual incrível. O espaço é gerido por um casal de escaladores 5 estrelas, Flávio e Maiara, que um dia resolveram largar o caos das grandes cidades e ir viver na tranquilidade e paz que montanha proporciona.

Como já era de noite, não tínhamos ainda a noção do que estava ao nosso redor. Ao amanhecer, ficamos deslumbrados pela paisagem, paz e tranquilidade do lugar.

Aiuruoca, é uma pequena e simpática vila localizada em pleno parque da serra do papagaio, com uma arquitetura bem colonial, típica dessa região de Minas. Outra curiosidade é a grande quantidade dos famosos fusquinhas que dá um certo glamour a esta pequena localidade.

Depois do café, o Flávio passou-nos os betas de como chegar à falésia do leão, um ótimo local de escalada desportiva.

Localização Falésia do Leão:

Localização Pedra do Batuque:

No dia seguinte, pela manhã demos uma pequena ajuda ao Flávio e à Maiara com a grama do camping. Depois disso fomos escalar na base da serra do papagaio, 15 min a pé do abrigo. Infelizmente, quando começamos a escalar caiu uma grande chuva o que nos fez abandonar o material na parede e nos abrigar rapidamente. Depois da chuva acalmar um pouco, limpamos a via e fomos para outro setor, onde seria possível escalar com chuva. Entramos numa famosa via do setor, mas próximo do final da via a parede estava molhada o que nos fez regressar para o abrigo e tomar um banho de água quente.

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Nós com a Maiara e com o Flávio

Depois de uma noite de descanso, partimos para a gruta de Passa Vinte.

Informações úteis:

  • Com chegar: o abrigo do batuque fica a 12 km do centro de Aiuruoca (veja aqui o mapa).
  • Guia escalada: é possível encontrar informação das vias da Falésia do Leão aqui. Da Pedra do Batuque não existe guia disponível, toda a informação foi nos passada pelo o Flávio.
  • Alojamento: abrigo do Batuque é sem dúvida o local mais indicado.

Gruta de Passa Vinte

Em 2013, quando trabalhei em Volta Redonda, tive a oportunidade de conhecer esse lugar. Na época menos conhecida do que é hoje pela comunidade escaladora, mas já contava com um número razoável de vias. Um spot com um potencial gigantesco de vias de elevada dificuldade e com um tipo de escalada muito característico, sendo que se trata de uma parede de cerca de 60 metros, dos quais 40 ou mais metros com uma inclinação negativa que deixa qualquer escalador com vontade de ir lá experimentar.

Entramos numa das vias mais fáceis do setor, a famosa Soco Inglês (6C+ FR – primeira parte). Atualmente tem uma extensão com uma graduação de 8B FR. Para além dessa via, fizemos a Tomahawk 6B+ FR, que está num bloco que proporciona algumas vias verticais.

O setor ainda conta com muitos projetos, incluindo possíveis 9A FR.

Como já tínhamos combinado no dia seguinte ir para Itataia, de Passa Vinte fomos diretos para Volta Redonda, onde tínhamos combinado reencontrar velhos amigos, Candinho e sua família que já nos aguardavam pela visita.

Informações Úteis:

  • Guia escalada: o guia pode ser encontrado online no site 27crags – Gruta Passa-Vinte.
  • Onde ficar: recentemente abriu um abrigo bem perto da falésia, sendo uma excelente opção para quem quer passar uns dias na falésia.
  • Localização:
  • Outros: é possível escalar em dias de chuva.

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