Capital dos trekkings e do mau tempo

Depois de muita escalada em Piedra Parada, regressamos a Esquel dia 23 de Fevereiro, onde revimos o nosso roteiro para o sul da Patagônia. Apesar dos avisos de vários escaladores frustados com o clima na região sul da Patagônia, mantivemos o nosso plano inicial. Assim, depois de dois dias de descanso, partimos a 25 de Fevereiro para El Chaltén.

El Chaltén é uma pequena vila turística localizada a oeste da província de Santa Cruz, no extremo sudoeste da Patagónia, na base de várias paredes colossais de granito que dominam a paisagem, como o mítico Cerro Fitz Roy.  Nesta região localiza-se também a massa de gelo continental mais importante do planeta depois da Antártida, com inúmeros glaciares que alimentam grandes lagos e rios. Por todo este cenário de natureza com paisagem únicas, El Chaltén é considerada a capital mundial de trekking, mas também um destino obrigatório para qualquer escalador fanático, principalmente de escalada clássica.

No entanto, a Patagónia é também conhecida pelo os seus fortes ventos e precipitações que predominam quase todo o ano. Assim, escaladores ficam por vezes meses a aguardar por uma janela para conseguir subir algum destes cerros.

Enquanto se espera por uma boa janela, é possível desfrutar de vias de escalada desportiva e boulders que foram abertas em volta da povoação de El Chaltén, possíveis de chegar caminhando em poucos minutos.

O nosso objectivo em El Chaltén não era muito ambicioso. Pretendíamos fazer as principais trilhas, para conhecer o Cerro Torre e o Cerro Fitz Roy, e escalar perto da povoação.

Foram cerca 1.120 Km’s em pouco mais de 21 horas desde de Esquel. Uma longa e cansativa viagem. Na manhã seguinte, fazia-se sentir um dia de sol e bonito ainda com o bónus de poder presenciar o eclipse solar, possível de se observar nessa região do planeta.

Vista da janela do bus

 

Chegando a El Chaltén, procuramos algum lugar barato com o mínimo de condições de conforto para ficar, já que o clima nessa região requer alguma atenção a esse nível. Essa foi uma tarefa difícil, porque os hostels são muito caros e os que são mais baratos não oferecem condições mínimas de conforto e segurança com o equipamento.

O dia que chegamos foi o último de uma pequena e melhor janela de bom tempo que teve em toda a temporada. Nos dias seguintes foram sempre bastante chuva e vento. Mesmo assim, não querendo desperdiçar todo o esforço, tempo e dinheiro, gastos para chegar até lá decidimos fazer algumas das trilhas: Mirador Cerro Torre (10km) e o Sendero Laguna Los Três (24km), este último permite observar o Cerro Fitz Roy, mas infelizmente o tempo não permitia ver mais que 500 metros de distância.

 

Já com o sistema imunitário um pouco debilitado da nossa passagem por Piedra Parada, estes dois trekking’s em El Chaltén piorou o nosso estado. Assim, não conseguimos tirar o máximo de partido da escalada nesse lindo e inóspito lugar. No dia 3 de Março partimos rumo ao nosso próximo destino: El Calafate.

Informações úteis:

  • Guia escalada: informações das vias desportivas e boulders podem ser encontrados neste site Suíço (download guia);
  • Alojamento: existem muitos hostels e alguns campings, tudo em torno de 200 a 350 pesos Argentinos (+- 10 a 25 €). Seguem alguns nomes de referência: Hostel del Lago, Hostel Condor de los Andes, Camping El Relincho. Em alguns campings e hostels é possível negociar um preço por temporada, sendo mais conveniente que pagar diariamente;
  • Transporte: existem autocarros diários de Bariloche, Esquel e El Calafate. De Esquel foram cerca de 1800 pesos Argentinos (+- 100 €);
  • Trekkings: qualquer alojamento é capaz de te dar informação sobre os trekkings, e na própria vila tem sinalização do início dos senderos. Não se paga para realizar as caminhadas e é possível acampar de forma gratuita em alguns lugares (bem marcados) dos senderos.
  • Outros: levar roupa quente e impermeável.

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