Frey – Cerro Catedral

Após a nossa estadia estratégica em Bariloche, estava na hora de conhecer um dos spots de escalada clássica mais procurada na América do Sul, as agulhas do Cerro Catedral, onde o lindo Refúgio Frey está localizado a 1700 metros. O nome é uma homenagem ao Eng. Emilio Frey, um dos fundadores do Clube Andino de Bariloche.

Refúgio Frey (fonte: https://i1.wp.com/www.clubandino.org/wp-content/uploads/2015/07/frey-dest.jpg?resize=686%2C364)
Refúgio Frey (fonte: http://www.clubandino.org/wp-content/uploads/2015/07/frey-dest.jpg)

Apesar da trilha até ao refúgio do Frey ser ligeiramente mais fácil e curta que a trilha de Cochamó, aqui não tivemos a mesma sorte de ter a ajuda dos “pitcheros” e dos cavalos para carregar todo o material de escalada e a comida para as quatro noites. O primeiro desafio seria de facto saber se iríamos aguentar subir 10 km com cada um com uma mochila com mais de 20 Kg, mas este é o espirito do Living Onsight, desafiar os nossos limites.

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Após algumas horas de caminhada, começamos a avistar as famosas agulhas, o que nos deu mais motivação e força para o resto da trilha. Cinco horas depois, avistamos o Refúgio Frey, onde só já pensávamos na cerveja gelada e na famosa pizza que é confeccionada pelos simpáticos “refugeiros” que administram o espaço.

Ainda faltava 3 horas de caminhada
Ainda faltava 3 horas de caminhada
Primeiro avistamento das agulhas
Primeiro avistamento das agulhas
Patrícia ainda no início da trilha
Patrícia ainda no início da trilha

Após abandonarmos nove cams em Puerto Varas, devido ao peso excessivo das mochilas, ficamos um pouco limitados na escalada no Frey. Assim, escolhemos as vias mais clássicas como objetivo desta subida, a Sifuentes-Monti (100 metros, 5+ FR)  e a Diedro e Fissura de Jim (50 metros, 5+ FR). Ambas as vias de escalada na Agulha de Frey, com aproximações curtas e com um grau de exposição baixo.

Agulha Frey
1 – Sifuentes-Monti 2 – Diedro e fisusura de Jim

Tínhamos programado que o dia seguinte à trilha seria para descansar e admirar o visual, no entanto, a vontade de escalar foi maior e aceitamos um convite de um escalador canadiano (Xavi) que já estava no Frey há quinze dias sozinho e ia escalando com quem aparecia. Ele queria escalar a famosa via de escalada chamada Vaginal. Aproveitamos o convite para também ir “experimentar” a rocha numa via mista (clássica e desportiva), de facto ficamos espantados com a qualidade da rocha e a beleza do visual.

Após a escalada fomos tomar uma cerveja no refúgio, onde estávamos a conversar quando um escalador que estava do nosso lado pergunta-nos: “Vocês são Portugueses?”, assim conhecemos o Cuca, um escalador português que também já tinha passado por Cochamó e já lhe tinham falado de um casal de portugueses que havia passado por lá, algo raro por sinal.

No dia seguinte, já tínhamos no nosso cronograma escalar a Sinfuentes-Monti, Cuca acabou por se juntar a nós e assim fomos, uma cordada lusitana no Frey. A via de escalada é uma das mais clássicas, com quatro largos, rocha bastante aderente e de fácil colocação dos equipamentos móveis. De facto, Frey confirma ser um ótimo local para principiantes deste estilo de escalada.

No terceiro dia, que seria o nosso último dia de escalada, optámos por fazer uma outra via clássica “O Diedro e Fissura de Jim”, uma via curta de dois largos, que começa num diedro muito bonito de escalar e fácil, e acaba com uma fissura de mãos. Neste segundo largo, faltou-nos a técnica de fissura e equipamento de maior dimensão, no croqui é descrito cams até ao número 2, mas sentimos que levar vários números 2 e 3 repetidos seria mais confortável para escalar. Neste momento também o tempo estava a mudar, com bastante vento frio e mais tarde chuva.

No quarto dia, o tempo amanheceu com chuva. Sorte que era o nosso dia de descer a trilha, assim o fizemos e deixamos o Frey, com vontade de um dia voltar.

Informações úteis:

  • Como chegar: a trilha tem cerca de 10 km e duração de 4 horas no verão. O seu inicio é na estância de sky na base do Cerro Catedral. Para lá chegar tem um bus que sai do centro de Bariloche.
  • Refúgio: apesar de não haver nenhum controlo no início da trilha (como em Cochamó), para passar a noite no refúgio ou no camping é necessário reserva. Essa reserva pode ser feita no site http://www.refugiofreybariloche.com/. No refúgio tem WC (gratuito), cozinha comunitária (pago), e algumas comidas e bebidas (pago). Para tomar banho só mesmo na lagoa.
  • Guia escalada: é possível obter o guia do Frey no Club Andino de Bariloche e custa cerca de 600 pesos argentinos. O guia também está disponível no Refúgio do Frey para consulta.
  • Época do ano: no verão, entre Dezembro e Março.
  • Tipo de rocha: granito de fendas perfeitas.

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